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Oito anos de trabalho para a realização desse livro. Clarice Fotobiografia (656 páginas, Imprensa Oficial e Edusp),  foi lançado nessa terça-feira na Livraria Cultura, pela autora Nádia Batella Gotlib. A professora da USP é reconhecida como uma das maiores especialistas na obra de Clarice Lispector, que pesquisa sobre o assunto desde a década de 1980: “Para mim foi muito importante [o lançamento da Fotobiografia], porque é mais um capítulo numa longa história que eu tenho de pesquisa sobre Clarice. Então, eu fico mesmo muito feliz desse livro estar pronto.”, diz a autora para o blog Nefelibatas Cult.

Para a estudante de biblioteconomia, Graziela de Oliveira, o estudo e trajetória de Nádia sobre o tema é muito bem conceituado: “Eu acho que a Nádia fez um belo trabalho com a obra da Clarice, (…) fez uma obra fantástica, bem completa. Para quem quer conhecer, inicialmente, já tem um belo carro para seguir.” Graziela começou a ler as obras de Clarice em 2001, com os livros Laços de Família e A Hora da Estrela. De lá para cá, não parou mais, e lê a extensa bibliografia da autora sempre que pode.

O livro traz mais de 800 fotos da escritora, organizadas em ordem cronológica por Nádia. “Eu já tinha muitas imagens, mas depois o próprio material que eu tinha foi exigindo mais. Então, eu tive que desenvolver mais e mais pesquisa…isso demora,né?” Comenta a autora.

Eu penso que Clarice Lispector acharia muita graça do evento realizado para lançar o livro de sua fotobiografia. Diversos intelectuais, especialistas e estudiosos de sua obra estavam presentes e conversando entre si sobre ela, é claro. A escritora diz em uma de suas crônicas, – Intelectual? Não. –  publicada na imprensa em novembro de 1968, que não se considera uma intelectual, e confessa que não leu a maioria dos clássicos da humanidade. Pode-se pensar em suas obras, agora,  como parte dos clássicos da humanidade. Irônico,não?

Nádia Gotlib fala em matéria publicada pelo Estadão, no domingo, que “Sua produção é, a certa altura, chamada por ela mesma de ‘pulsações’, e está pautada pelo questionamento de valores, desconstrução de regras e certezas, movidas pelo desejo dramático de narrar aquilo que, no fundo, constata ser inenarrável.” Clarice tem grande reconhecimento por sua maneira de narrar e envolver o leitor com histórias de pessoas comuns, como a de Macabéa – em A Hora da Estrela – e brincar com as noções de tempo e espaço.

Eu, particularmente, não consigo assitir muitas filmagens e ver fotos de Clarice Lispector, durante a exposição realizada no Museu da Língua Portuguesa, em 2007, evitei ao máximo observar a entrevista realizada por ela para a TV Cultura, que passava no telão. Não tenho uma explicação para isso, apenas prefiro me concentrar nas palavras e nos mergulhos literários que a autora –  nascida na Ucrânia, em 1920 e naturalizada brasileira, em 1943 –  faz em seus textos. A pergunta que fica, com o lançamento desse livro, é: As imagens de Clarice expressam tanto de si quanto sua escrita? Cabe à você, leitor, analisar e descobrir isso. Se aventure nesse mundo, vale muito a pena.

Por Camila Braga