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Vera

Durante o ano de 2009, o Grupo Jogando no Quintal é a nossa vida. Além de terem virado trilha sonora e principal assunto, também nos fornecem contatos importantíssimos e ajudam imensamente o nosso trabalho.já Mais uma vez em contato com eles, conseguimos marcar uma entrevista com a primeira palhaça convidada a participar dos Doutores da Alegria, a Vera Abbud. Tudo bem que já havíamos entrado em contato com os Doutores, mas aposto que o fato dela pertencer aos dois grupos ajudou muito para marcar. Conseguimos o feito para o dia 09 de maio, na casa dela, às 14h, porque ela mora próximo ao Teatro Alfa e sabia que tínhamos uma entrevista agendada com o César Gouvêa, fundador do Jogando no Quintal, às 16h.

Entre idas e vindas, marquei com a Simone e a Fernanda às 13h00 no metrô Bresser. Saí mais cedo do curso de inglês, perdi prova e fui pro local combinado. Nunca tem trânsito, mas naquele dia… O trajeto que faço em 10 minutos, levou 40! E as duas estavam me esperando. Para ir, mais trânsito ainda. Sem contar o tanto que eu me perdi durante o caminho. Chegamos com meia hora de atraso. A Paula e a Thaís já estavam lá. A Vera estava tomando café em uma padaria. Que vergonha! Além de chegar atrasada, ainda atrapalhei o café dela e ela ainda me receberia em casa, com toda a simpatia e educação do mundo.

Muito profunda e concentrada em todas as respostas, ela apresentou a sua versão sobre o palhaço e também sobre o riso. Surpreendeu em várias questões, pois sempre fugia daquelas respostas-padrão. Sempre pensativa, ela conseguiu um feito. Fez uma integrante do grupo chorar e deixar as demais sem palavras, quando nos contou um dos casos marcantes em sua trajetória de doutora palhaça.

A entrevista foi perfeita, as respostas maravilhosas, o cenário ficou lindo. Mas, quando estávamos chegando ao Teatro, lembrei de uma coisa: esquecemos de arrumar a cadeira da casa dela. Ai, mais vergonha ainda! Para começar, mudamos uma cadeira de lugar – ninguém subiu na cadeira – e na hora de ir embora, não devolvemos na posição original. Espero que ela nos entenda, pois estávamos ainda chocadas com as histórias que ela tinha contado.

Saímos de lá com o tempo certíssimo para chegar ao teatro Alfa, uma perdidinha que eu desse e a gente não conseguiria chegar. Mas, dessa vez, tínhamos dois GPSs dentro do carro, chamados Thaís e Paula. Conseguimos chegar para a esperada entrevista com César Gouvêa, o palhaço Cizar Parker, criador do Grupo Jogando no Quintal – eu avisei que esse ano o Jogando no Quintal era a nossa vida. Ele estava apresentando o espetáculo O Mágico de Nós, uma peça de improvisações voltada para o público infantil.

Assistimos ao espetáculo e voltamos a ser crianças. Foi maravilhoso! A fada, o Leão, o Cachorrinho, o Espant – nunca gostamos de alho –, o Homem de Lata, a menina Dorothy e, o melhor de tudo: as crianças super criativas lançando os temas. O mais interessante é que os pais acabam se empolgando mais que os rebentos! Quase arremessam as crias no palco. “Vai lá, filhão. Não precisa ter vergonha”. Após esse momento de pura diversão (roubando expressões mercedianas), fomos à entrevista.

Cesar

Nossa, mais uma vez fomos surpreendidas com as respostas. Isso deve ser coisa de palhaço mesmo, ainda bem. Não existe aquela pergunta que a gente saiba a resposta. Cada um tem uma versão mais linda, mais interessando sobre o que é o palhaço, sobre o que é o riso, sobre diversas questões. É ótimo poder contar com pessoas simpáticas, sempre de bom humor, que pensam antes de dar as respostas e se interessam pelo nosso trabalho. Ele nos contou sobre a origem do grupo de palhaços-atores e, em todos os momentos, interagiu com as integrantes do grupo. Quando a entrevista acabou, fomos até o estacionamento conversando. Será que todos os palhaços são simpáticos assim ou são apenas os que pertencem ao Jogando no Quintal ou aos Doutores da Alegria?

César foi muito atencioso e mostrou-se inteiramente envolvido com o tema que propusemos. Espero que muitos de nossos entrevistados consigam separar um horário na agenda para assistir a nossa apresentação!

Por Juliana Moraes (Palhaça Tia Gugu)

Claudio TebasSexta-feira, 1º de maio de 2009, Teatro da Vila, às 17h30. Foi esse o horário marcado com o ator Cláudio Thebas para uma entrevista sobre o palhaço. Depois de muitos telefonemas, de pedir desculpas, de ligar várias vezes, incansavelmente, de gaguejar e ficar com dor de barriga, finalmente, a entrevista nos seria concedida. Um dia antes, comprei o livro do ator, cujo título é “O livro do palhaço”, uma leitura tão gostosa e tão atraente que terminei o livro em uma hora. Na verdade, a entrevista com o Cláudio seria no dia 3 de maio, às 16h00 no Centro de cultura Judaica, pois o ator se apresentaria na Virada Cultural, com o grupo teatral do qual faz parte, o Jogando no Quintal. Mas, depois de encontros e desencontros de informações, telefonemas e gritos a entrevista ficou para sexta-feira. Estava muito ansiosa para entrevistá-lo, pois a leitura foi muito bonita, o autor descreve o palhaço com uma sensibilidade e beleza tão grande que dá até vontade de se tornar um. Aliás, todos os palhaços que entrevistamos ultimamente, têm sido tão generosos e tão simpáticos, que se já gostava de palhaços e desse universo lúdico, agora gosto e me interesso cada vez mais.

O meu namorado preferiu me acompanhar, afinal, era feriado e ele teria tempo livre. Chegamos cedo, de carro duraram 10 minutos, e ao longo do caminho percebi que estava frio. Assim que chegamos, encontramos a Juliana e a Paula. Ficamos lá, divagando se conseguiríamos um lugar para assistir ao espetáculo, pois o teatro era pequeno e os ingressos foram distribuídos apenas para convidados. Conversamos um pouco com a atriz Rhena de Faria, já havíamos a entrevistado em outra ocasião. Logo depois, chega um carro azul, acho que se chama Berlingo e uma pessoa desce do carro com uma maleta enorme de madeira. Só depois de olhar a maleta, percebi que era o nosso entrevistado, o Cláudio Thebas. Ele pára na nossa frente e diz: ”Oi!”, um silêncio predomina, só tivemos boca para responder oi, como não houve reação da nossa parte, reação nenhuma nem para dizer: “Oi Cláudio, tudo bem? Estamos esperando para entrevistá-lo”, ele passa direto. Só sinto a cotovelada e a seguinte frase: “vai lá falar com ele, que tonta, não fala nada, conversa com o homem pelo telefone e não fala nada na frente dele! A minha reação foi rir, simplesmente, fiquei pasma, sem ação, quando o vi. Logo após, ouço passos e a seguinte frase: “São vocês que vão me entrevistar?”, a resposta foi um único e simples som: “Sim!”, ele responde, “ É impressionante o que a vergonha faz com as pessoas!”, nesse momento pensei: que bom, meio caminho andado…

Ficamos definindo qual seria o melhor local para entrevistá-lo, qual a melhor cadeira, arma tripé, põe a fita, vê qual o melhor ângulo, a melhor luz, onde tem menos barulho, percebi que o fundo laranja e a blusa listrada do entrevistado no tom verde estavam bonitos, e, finalmente, depois de tudo organizado, começamos a entrevista. Com o rosto corado pergunto, “O que é ser palhaço, para você?”, depois de um longo suspiro, “o palhaço sou eu assim, é estar vivo, é essa presença o tempo inteiro, tentando ser sincero, espontâneo, verdadeiro, então ser palhaço é estar inteiro mesmo, acho que é um pouco isso”. Que felicidade, depois de momentos de tensão estava tudo andando! As horas seguintes foram de satisfação, todo o nervosismo valeu à pena, correu tudo bem com a entrevista, tirando o técnico do teatro que acendeu uma luz bem forte no entrevistado, alterando toda a gravação, mas que logo em seguida a desligou, foi tudo ótimo, as respostas foram convidativas e claras, muitas dicas de palhaços, livros e filmes, além do livro autografado com a seguinte frase: Um beijo em tudo o que vocês fazem e sentem! Ficamos para assistir ao espetáculo e percebi que cada ato do Cláudio, que no palco se transforma no palhaço Olímpio, tudo o que ele disse na entrevista, tudo o que escreveu no livro, tudo o que ele queria que aprendêssemos, tudo foi confirmado ali, no palco, em cada ato, cada interpretação, cada gesto do palhaço, do ator, do ser humano.

por Thais Souza (Palhaça Diva)

O retorno

 

Dia: 18/04/09 (Sábado)

Local: Tucarena – PUC-SP

Hora: 18h

Nitidamente mais ansiosas do que da vez anterior, nos encontramos novamente alguns minutos antes do combinado com a produtora Maria Teresa, para realizarmos os acertos finais. Uma das mudanças que teríamos desta vez seria a gravação das entrevistas com duas filmadoras: uma seria usada para registrar um plano aberto, mais geral, e a segunda captaria o entrevistado de um outro ângulo, dando atenção a detalhes como as mãos, os olhos, a boca etc.

Ao encontrarmos com a produtora, ela informou-nos que havia, ainda, conseguido que um dos integrantes da banda do grupo, o ator Marco Gonçalves, também nos desse uma entrevista. E foi com ele que primeiro gravamos. Brincalhão e bastante desinibido pela presença das câmeras, conseguimos uma conversa fluida e interessante.

Depois da entrevista, retornamos ao posto que nos haviam destinado e registramos trechos das orientações transmitidas ao grupo pelo diretor, Márcio Ballas. Instantes depois, o grupo, aos poucos, saía do palco e ía aos camarins para vestirem o figurino e fazerem as maquiagens.

O espetáculo começou e seguiu basicamente o mesmo formato do anterior, com a diferença de ter no palhaço João Grandão (Márcio Ballas) a figura do juiz, além de a banda ter sofrido pequenas alterações em sua composição. Pouco antes das brincadeiras começarem, um dos integrantes da platéia entrava atrasado no espetáculo, quando chamou a atenção de João Grandão, que o chamou para o centro do palco. Perguntou-lhe o nome, e Cláudio foi a resposta. Alguém de sua família, já sentado, gritou ao palhaço que era aniversário do “atrasado”. Todos, então, iniciaram a cantoria do “Parabéns para você”, com direito à “assoprar as velinhas”, no caso, formada pela equipe de palhaços. Cláudio mal desconfiava que se tornaria motivo de diversas piadas e brincadeiras ao longo da apresentação.

No momento do intervalo, aproveitamos para tentar uma breve entrevista com o homenageado da noite, que se mostrou bastante simpático conosco, além do capitão escolhido pela equipe laranja: Luís, também atencioso, aceitou conversar e gravar entrevista.

A segunda parte do espetáculo seguia e, conforme a apresentação chegava ao final, íamos nos preparando para a entrevista com Márcio Ballas. A cerimônia de entrega das “medalhas” aconteceu e chegou o momento de irmos ao camarim. Maria Teresa nos pediu alguns minutos, para que o entrevistado pudesse tomar um banho rápido e tirar toda a espuma das tortadas. Quando ele surgiu, apesar de ter acabado de apresentar um show com quase duas horas de duração, nos parecia bem disposto e atencioso. Apenas nos avisou que caso seu celular tocasse, ele precisaria atendê-lo, já que sua filha o aguardava em casa.

Explicamo-lhe que precisaríamos refazer as perguntas, já que da vez anterior a entrevista tinha sido feita com pressa. Instantes antes de começarmos, ele nos fez algumas brincadeiras, demonstrando estar à vontade conosco e com a gravação. Começamos a entrevista e suas respostas, dessa vez dadas com mais tempo, ficaram mais completas e interessantes. No meio da entrevista, como o esperado, seu celular tocou e ele nos pediu licença para atender. Não era sua filha, mas alguém lhe parabenizando pela apresentação. Ele agradeceu e logo em seguida desligou. Algumas perguntas a seguir, o celular voltou a tocar, ao que ele pediu desculpas por atrapalhar a gravação, e nós o avisamos que somente gostaríamos de fazer mais uma última questão. Ele a respondeu e, ao final, fez uma “brincadeirinha” com a câmera. Agradecemos por sua atenção e paciência.

Na saída, Maria Teresa nos informou que a equipe de seguranças só nos aguardava terminar a entrevista para fechar o teatro. Ajeitamos o restante dos equipamentos e, às 0h35, fomos embora, dessa vez, sim, com o sentimento de dever cumprido.

Por Fernanda Pierina (Palhaça Tchicabá)

Clube de ragatas Cotoxó

Dia: 05/04/2009

Local: Tucarena – PUC-SP

Hora: 17h40            

Esse foi o horário marcado para nos encontrarmos, já que o combinado com a produtora executiva, Maria Teresa Sanches, era às 18h. Esses 20 minutos seriam usados para fazermos os últimos acertos: quem ficaria na frente, e quem ficaria atrás, no alto; qual câmera seria usada em qual local; repassarmos as perguntas e os locais de filmagem etc. Com tudo resolvido, pedimos para falar com a Teresa, que, de maneira bastante atenciosa e simpática, nos adiantou que poderíamos fazer as entrevistas com a jogadora Rhena de Faria, antes da apresentação, e com Márcio Ballas, o criador, diretor e também ator, durante o intervalo de 15 minutos.

Antes da conversa com Rhena de Faria, fizemos algumas imagens de apoio, gravando as bandeiras do cenário, as cadeiras do público, o panfleto do espetáculo, o placar, o gramado ao centro… tudo organizado de forma a transmitir ao público a sensação de se estar em um verdadeiro estádio, ainda que o teatro seja disposto como uma arena.

Quando a entrevistada pôde nos atender, uma decepção: o microfone de lapela, comprado para as gravações, não poderia ser usado na câmera, e seria necessário um adaptador… a saída, então, seria usarmos o microfone que acompanhava o equipamento fornecido pela Universidade. Resolvido o problema, a posicionamos em uma das cadeiras da platéia e começamos a gravação. A cada resposta, ficávamos mais impressionadas com tudo o que ela falava: sobre o palhaço, a máscara, o circo, o riso, o improviso… parecia que toda a teoria que tínhamos lido até aquele momento estava sendo contada e ilustrada por ela. Antes do fim da entrevista, os demais atores começaram seu aquecimento no centro do gramado: alongamento, massagem, afinação dos instrumentos da banda, e treino das músicas, e o ensaio de algumas das histórias que seriam contadas ao longo do show pelo “juiz” do jogo… Ao fim da entrevista, agradecemos e começamos, então, a gravar o que acontecia com os outros jogadores…

Toda a preparação durou até minutos antes da abertura para a platéia. Então, saíram para arrumarem os últimos detalhes do figurino e maquiagem. A banda entrou no teatro e começou as primeiras músicas, enquanto a equipe técnica, por walk-talks, combinava o instante da abertura. Tudo pronto, e o público começou a encher o espaço a ele destinado. A música parecia ir contagiando a todos, que falavam alto, brincavam uns com os outros, e riam… Não havia forma melhor de começar a brincadeira. A baterista da banda instruiu o público a executar uma coreografia para a música que tocariam a seguir. A música foi tocada e o público respondeu como o pedido. O juiz da noite, o palhaço Adão (Paulo Federal), entrou e deu início à apresentação dos jogadores. Tocaram e cantaram o hino do “Clube de Regatas Cotoxó”, e ficamos sabendo que dariam início às improvisações… uma se seguiu à outra e, a cada brincadeira, o público respondia de maneira mais positiva.

Chegado o momento do intervalo, aquela correria tomou conta do grupo: pegar a câmera, o microfone, a lista com as perguntas… e ainda tentar afastar o “friozinho na barriga” que insistia em não passar! Entramos no camarim e, logo em seguida, Márcio Ballas apareceu, apresentou-se e sentou na poltrona do local. Ajeitamos a câmera e, em tom de brincadeira, o ator “roubou” o microfone da mão de uma das alunas, e começou a nos contar que havia nascido em 1976 e que “iria morrer” em 2015… entramos na brincadeira, mas o alertamos que dessa forma ele acabaria morrendo muito jovem; ele concordou e disse que poderia, então, morrer em 2065… foi nesse tom que a entrevista começou. No entanto, o microfone acabou ficando em suas mãos.

A perguntas foram feitas com uma certa correria, pois só teríamos em torno de 8 minutos, antes do recomeço do espetáculo. Ainda que bastante apressadas, as respostas nos deixaram contentes. A produtora entrou no camarim e o avisou que a banda já estaria voltando e que, por isso, a entrevista teria que terminar. Saímos e reposicionamo-nos. A apresentação do grupo seguiu.

Quando o placar marcava 3 para a equipe laranja e 2 para a azul, o juiz anunciou o fim do jogo. No entanto, antes de despedirem-se, haveria o momento da coroação dos participantes. O palhaço Adão chamava, um por um, o nome dos jogadores, para que recebessem os aplausos do público. Cada um deles escolheu alguém da platéia, e o colocou sentado em um banquinho no centro do palco. Formando um círculo, os escolhidos do público, ao comando do juiz, fizeram a contagem regressiva. Chegado o “zero”, “tortadas” de espuma foram distribuídas nos jugadores. Assim, a brincadeira terminou em tom de alegria, em que não importavam vencedores ou perdedores, já que todos saíram do palco com o rosto completamente sujo de torta!    

Por Fernanda Pierina (Palhaça Tchicabá)