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Morgana Massetti

Chegamos mais uma vez, a sede dos Doutores da Alegria onde realizaríamos a que pensávamos ser a mais difícil entrevista, afinal, Morgana Massetti mora no Rio de Janeiro e vem de vez em quando a São Paulo. Para a nossa alegria ela veio e aceitou falar com a gente.

Aprendemos muitas coisas sobre o universo do palhaço e uma delas foi a generosidade de doar seu tempo para atender as necessidades de pessoas desconhecidas e exigentes como nós, sempre queremos algo mais do entrevistado. E não só nos atende com boa vontade, mas supera até mesmo dificuldades de saúde, como é caso de Morgana que passou mal. Simone, responsável pelo contato com os Doutores da Alegria recebeu uma mensagem de voz onde a entrevista era desmarcada e pedia que entrássemos em contato para remarcarmos. Já estávamos diante do prédio e resolvemos remarcar pessoalmente e para nossa surpresa e diante da nossa presença Morgana aceitou nos dar a entrevista, insistimos dizendo que não teria problema fazer em outro dia e que dissemos que poderíamos ir ao Rio de Janeiro durante as férias de Julho.

Ela não voltou atrás e nos a entrevista durante 15 minutos, não precisávamos mais do que isso, e assim pudemos nos aprofundar sobre o olhar de quem avalia e mensura os efeitos do riso sobre o paciente, no caso dos Doutores as crianças, enriquecendo ainda mais nosso trabalho.

A boa vontade e a disposição parecem ser um pré-requisito para estar no mundo do palhaço, agradecemos muito por isso, porque sempre facilita a coisa para palhaças iniciantes tímidas e nervosas, que muitas vezes se atrapalham e esquecem uma parte do tema do trabalho que é provocar o riso.

por Paula Matos (Palhaça Mercedes)

Thais, Fernando e Soraya

“Vocês acham que conseguem marcar entrevista com os Doutores da Alegria?” Essa era a preocupação inicial da nossa orientadora de TGI, Denise Paiero! Agora, ela nos vira e diz: “Vocês não vão parar de entrevistar os Doutores? Como vão editar o vídeo?”. Graças a Deus ela tem razão, conseguimos muitas entrevistas e hoje contaremos mais uma delas…
 
Essa foi uma entrevista no estilo “3 em 1”, na qual participaram os palhaços Soraya, Thaïs e Fernando – Dra. Sirena, Dra. Ferrara e Dr. Escrich, respectivamente. Na minha cabeça, tinha tudo para dar errado! Não que eu seja pessimista, tinha alguns motivos até que palpáveis…
 
Eu que faria as perguntas (estava Pink e tremendo!), o microfone começou a falhar, a Soraya estava presa no trânsito, uma chuva que Deus mandava que não era brincadeira. Convenhamos que o cenário não estava agradável. A Thaïs, dos Doutores, perguntou se preferíamos voltar outro dia, ou gravar só com ela. Dissemos que faríamos o que fosse melhor para ela, pois apesar de insistentes, não somos chatas!
 
Até que ela teve uma brilhante ideia: chamar o Fernando para participar da entrevista, pois ele poderia ajudar a cantar e tocar músicas durante o nosso bate-papo. Quisemos começar a gravar na hora! Enquanto preparávamos as câmeras e eu decorava as perguntas que já sabia de trás pra frente, eles faziam alguns números que levam às crianças. Não vou esquecer do detalhe que era um mini piano e um violão bem pequeno, bem fáceis de transportar.
 
Eles fizeram de tudo um pouco. Encenaram, tocaram, cantaram, falaram sério, deram risada e, quando eu estava começando a ficar menos corada, a Soraya chegou! Nem me abalei tanto quanto pensei! Na verdade, foi um alívio… Pedimos para ela entrar no meio da entrevista e ela foi lá e fez! A essa altura, eu nem lembrava que existia tempo ruim lá fora, que eu estava perguntando, que o microfone não estava mais funcionando…
 
Eu estava lá, entregue de corpo e alma! Foi uma entrevista que marcou muito pra mim, pois fez com que eu superasse muitos traumas! A partir desse dia, me libertei de muitas amarras.

por Juliana Moraes (Palhaça Gugu)

Wellington Nogueira

Wellington Nogueira, fundador dos Doutores da Alegria. Ele seria o entrevistado daquele dia, e, ao nos prepararmos para entrevistá-lo, na tarde do dia 25 de maio, uma segunda-feira, senti algo parecido com o que a Thaís escreveu sobre seu nervosismo ao conversar com Cláudio Thebas. É uma sensação muito esquisita entrevistar alguém com quem parece já termos uma certa intimidade. No caso da Thaís, ela havia lido o livro do entrevistado. No meu caso (e no das demais integrantes), havia visto o documentário “Doutores da Alegria – O Filme”, dirigido por Mara Mourão, esposa do fundador do grupo. No filme, Wellington conta a história dos Doutores, fala sobre o que pensa do palhaço, explica um pouco de seu trabalho nos hospitais, entre outras coisas. Tudo acompanhado de belos momentos de atendimentos feitos pelo grupo.

Mas apesar de um certo “friozinho na barriga”, nos dirigimos ao Galpão dos Doutores da Alegria, local que já conhecíamos, pois semanas antes havíamos assistido a “Palhestra” feita por Soraya Said e Thais Ferrara, duas “besteirologistas” do grupo. Como de costume, minutos antes o grupo se encontrou na frente do local para os últimos acertos. Logo, então, entramos. As fotografias dos Doutores espalhadas pelo local criam a ambientação necessária para o visitante sentir a delicadeza do trabalho desenvolvido pelo grupo.

Depois de conversarmos com a assessora do grupo, Maria Rita, acertamos o local onde poderíamos realizar a entrevista: uma vasta sala de reuniões, decorada com um grande vasos de planta, colocada encostada em um dos cantos da parede do fundo, ao lado da janela. Uma grande mesa redonda e vermelha poderia ser facilmente colocada ali próxima, o que criaria o cenário ideal para a gravação. Talvez seja a intensidade com que assumimos a tarefa de adendrar no universo do palhaço, mas a mesa, incrivelmente, me pareceu um grande e bonito nariz-de-palhaço (ou seria realmente essa a intenção?!?!).

 Enfim, devaneios à parte, tudo estava pronto: o “cenário”, as duas câmeras posicionadas sobre os tripés, voltadas na direção da cadeira do entrevistado, perguntas em mãos. Instantes depois, Wellington vinha em nossa direção. Era hora de rapidamente começarmos a entrevista, já que o entrevistado teria pouco mais de 40 minutos para a gravação. Na pauta estavam perguntas sobre o surgimento do grupo, a dificuldade de precisarem lidar com temas delicados (como a morte), a importância da remuneração dos “besteirologistas” para o aprofundamento na técnica do palhaço, a razão de o atendimento ser voltado para as crianças (além dos pais e da própria equipe médica e técnica do hospital), e ainda as duas questões-chave para nosso trabalho: a definição individual de cada entrevistado para os conceitos de riso e de palhaço.

Muito simpático e atencioso, entregamos a Wellington uma cópia de nosso projeto para o trabalho do videodocumentário. Ele folheou o calhamaço e pareceu interessado. Avisamo-lhe que poderia ficar com o texto, para conhecer um pouco mais do que estávamos desenvolvendo, ao que ele agradeceu e comentou que com certeza leria posteriormente com mais calma. Pudemos, então, começar a gravação da entrevista. A cada pergunta, o entrevistado bebia um gole de água e pensava durante alguns instantes antes de responder. Sua tranquilidade pareceu ter também me acalmado, e percebi que fui, aos poucos, perdendo a timidez e me sentindo cada vez mais a vontade. Vinte, talvez vinte e cinco minutos depois, a entrevista chegava ao fim.

Agradecemos sua atenção e o convidamos para, no fim do ano, ir assistir a nossa banca e ao videodocumentário pronto. Ele nos disse que essa época de fim de ano sempre é bastante corrida e cheia de eventos em empresas. Mas que faria o possível para comparecer. No momento de guardarmos todos os equipamentos, uma das alunas acabou por derrubar no chão grande parte das bolsas e pastas colocadas sobre uma cadeira, no canto da sala. Wellington, que vestia uma simpática camisa cheia de desenhos de carrinhos infantis e segurando uma caneca com água onde se lia, em letra cursiva, “Dr. Zinho”, disse, como que dando lugar a seu palhaço interior e provocando risadas no ambiente:

– Vocês acreditam que vivo fazendo isso?! 

 

Por Fernanda Pierina (Palhaça Tchicabá)

Paola

Nossas entrevistas são sempre cheias de aventuras, sempre são muitas histórias que acabam na hora gerando muito nervoso e stress, mas que depois se transforma em grandes risadas que nos ajudam.

Nossa entrevistada da semana é Paola Musatti, a Palhaça Manela, dos Doutores da Alegria, do Jogando no Quintal e da peça infantil de improvisação “O mágico de nós”, isso mostra como foi um pouco difícil encontrá-la para marcar e fazer a entrevista.

Após assistirmos pela segunda vez “O mágico de nós” (coisa que eu e o grupo poderíamos fazer toda semana, porque o espetáculo é muito bom), nos preparamos para começar a entrevista, depois de algumas cadeiras quebradas (nada de brigas, elas eram velhas mesmo), escolhemos um bom lugar com fundo musical “A noviça rebelde”.

Paola respondeu nossas perguntas de forma alegre, parece que a identidade de palhaço não consegue deixá-la por um minuto, o que acrescentou muito a pesquisa e nos ajudou a perceber na prática muito do que aprendemos na teoria.

O palhaço mais uma vez nos encantou, cada vez nos convence mais que quem vive em contato com o riso, leva a vida de um jeito muito diferente do que se vê por aí.

por Paula Matos (Palhaça Mercedes)

doutoresdaalegria

O ponto de encontro dessa vez era o Galpão dos Doutores da Alegria. Mas, ao contrário dos nossos últimos encontros, nós não realizaríamos nenhuma entrevista. Não estaríamos se quer no comando…Era nossa vez de ser plateia. A reunião se tratava de uma palestra, ou melhor, Palhestra – de palhaço com palestra – apresentada por Thais Ferrara e Soraya Said, duas besterologistas. As palestrantes tinham a missão de contar para as trinta pessoas presentes um pouco do grupo e de seu trabalho.
Thais iniciou a apresentação, que de institucional só tinha a temática. Entre explanações da origem dos Doutores e explicações da sua atuação, ela fazia um grande número de performances. Colocava máscara, mudava a voz, imitava gestualmente algum personagem. E tudo isso, para prender a atenção dos presentes e tornar o clima mais agradável – como se precisasse. Aos poucos arrancava risos do público, que até esquecia do avançado horário (a palestra terminou às 22h).
Palhaço, maquiagem, improviso, hospital. Thais aponta, explica, destrincha cada um desses elementos e forma uma colcha de retalhos, que dá origem aos Doutores da Alegria. Cada um dos besterologistas precisa ser ator com experiência na arte do palhaço e também fazer durante um ano o curso de formação do grupo, para aprender a abordagem correta utilizada por todos eles. Essa linguagem se junta ao trabalho em equipe, esse que acontece duas vezes por semana, seis horas por dia. O conhecimento adquirido é o conhecimento do outro, do parceiro, do paciente, do ser humano…Visível, até mesmo para quem não pode ver.
A sintonia conquistada é impressionante. Quando Soraya entra na sala, não precisa pronunciar nenhuma palavra. Seus movimentos, seu olhar transbordando de significado permitem com que Thais entre na brincadeira.  As duas viram médicas – em fração de segundos – e atendem com bom humor toda a plateia.
O riso, o sorriso, a risada são mais que inevitáveis…São verdadeiros aplausos diante de uma lição de vida.

por Simone Coelho (Palhaça Batatinha)

Vera

Durante o ano de 2009, o Grupo Jogando no Quintal é a nossa vida. Além de terem virado trilha sonora e principal assunto, também nos fornecem contatos importantíssimos e ajudam imensamente o nosso trabalho.já Mais uma vez em contato com eles, conseguimos marcar uma entrevista com a primeira palhaça convidada a participar dos Doutores da Alegria, a Vera Abbud. Tudo bem que já havíamos entrado em contato com os Doutores, mas aposto que o fato dela pertencer aos dois grupos ajudou muito para marcar. Conseguimos o feito para o dia 09 de maio, na casa dela, às 14h, porque ela mora próximo ao Teatro Alfa e sabia que tínhamos uma entrevista agendada com o César Gouvêa, fundador do Jogando no Quintal, às 16h.

Entre idas e vindas, marquei com a Simone e a Fernanda às 13h00 no metrô Bresser. Saí mais cedo do curso de inglês, perdi prova e fui pro local combinado. Nunca tem trânsito, mas naquele dia… O trajeto que faço em 10 minutos, levou 40! E as duas estavam me esperando. Para ir, mais trânsito ainda. Sem contar o tanto que eu me perdi durante o caminho. Chegamos com meia hora de atraso. A Paula e a Thaís já estavam lá. A Vera estava tomando café em uma padaria. Que vergonha! Além de chegar atrasada, ainda atrapalhei o café dela e ela ainda me receberia em casa, com toda a simpatia e educação do mundo.

Muito profunda e concentrada em todas as respostas, ela apresentou a sua versão sobre o palhaço e também sobre o riso. Surpreendeu em várias questões, pois sempre fugia daquelas respostas-padrão. Sempre pensativa, ela conseguiu um feito. Fez uma integrante do grupo chorar e deixar as demais sem palavras, quando nos contou um dos casos marcantes em sua trajetória de doutora palhaça.

A entrevista foi perfeita, as respostas maravilhosas, o cenário ficou lindo. Mas, quando estávamos chegando ao Teatro, lembrei de uma coisa: esquecemos de arrumar a cadeira da casa dela. Ai, mais vergonha ainda! Para começar, mudamos uma cadeira de lugar – ninguém subiu na cadeira – e na hora de ir embora, não devolvemos na posição original. Espero que ela nos entenda, pois estávamos ainda chocadas com as histórias que ela tinha contado.

Saímos de lá com o tempo certíssimo para chegar ao teatro Alfa, uma perdidinha que eu desse e a gente não conseguiria chegar. Mas, dessa vez, tínhamos dois GPSs dentro do carro, chamados Thaís e Paula. Conseguimos chegar para a esperada entrevista com César Gouvêa, o palhaço Cizar Parker, criador do Grupo Jogando no Quintal – eu avisei que esse ano o Jogando no Quintal era a nossa vida. Ele estava apresentando o espetáculo O Mágico de Nós, uma peça de improvisações voltada para o público infantil.

Assistimos ao espetáculo e voltamos a ser crianças. Foi maravilhoso! A fada, o Leão, o Cachorrinho, o Espant – nunca gostamos de alho –, o Homem de Lata, a menina Dorothy e, o melhor de tudo: as crianças super criativas lançando os temas. O mais interessante é que os pais acabam se empolgando mais que os rebentos! Quase arremessam as crias no palco. “Vai lá, filhão. Não precisa ter vergonha”. Após esse momento de pura diversão (roubando expressões mercedianas), fomos à entrevista.

Cesar

Nossa, mais uma vez fomos surpreendidas com as respostas. Isso deve ser coisa de palhaço mesmo, ainda bem. Não existe aquela pergunta que a gente saiba a resposta. Cada um tem uma versão mais linda, mais interessando sobre o que é o palhaço, sobre o que é o riso, sobre diversas questões. É ótimo poder contar com pessoas simpáticas, sempre de bom humor, que pensam antes de dar as respostas e se interessam pelo nosso trabalho. Ele nos contou sobre a origem do grupo de palhaços-atores e, em todos os momentos, interagiu com as integrantes do grupo. Quando a entrevista acabou, fomos até o estacionamento conversando. Será que todos os palhaços são simpáticos assim ou são apenas os que pertencem ao Jogando no Quintal ou aos Doutores da Alegria?

César foi muito atencioso e mostrou-se inteiramente envolvido com o tema que propusemos. Espero que muitos de nossos entrevistados consigam separar um horário na agenda para assistir a nossa apresentação!

Por Juliana Moraes (Palhaça Tia Gugu)