Morgana Massetti

Chegamos mais uma vez, a sede dos Doutores da Alegria onde realizaríamos a que pensávamos ser a mais difícil entrevista, afinal, Morgana Massetti mora no Rio de Janeiro e vem de vez em quando a São Paulo. Para a nossa alegria ela veio e aceitou falar com a gente.

Aprendemos muitas coisas sobre o universo do palhaço e uma delas foi a generosidade de doar seu tempo para atender as necessidades de pessoas desconhecidas e exigentes como nós, sempre queremos algo mais do entrevistado. E não só nos atende com boa vontade, mas supera até mesmo dificuldades de saúde, como é caso de Morgana que passou mal. Simone, responsável pelo contato com os Doutores da Alegria recebeu uma mensagem de voz onde a entrevista era desmarcada e pedia que entrássemos em contato para remarcarmos. Já estávamos diante do prédio e resolvemos remarcar pessoalmente e para nossa surpresa e diante da nossa presença Morgana aceitou nos dar a entrevista, insistimos dizendo que não teria problema fazer em outro dia e que dissemos que poderíamos ir ao Rio de Janeiro durante as férias de Julho.

Ela não voltou atrás e nos a entrevista durante 15 minutos, não precisávamos mais do que isso, e assim pudemos nos aprofundar sobre o olhar de quem avalia e mensura os efeitos do riso sobre o paciente, no caso dos Doutores as crianças, enriquecendo ainda mais nosso trabalho.

A boa vontade e a disposição parecem ser um pré-requisito para estar no mundo do palhaço, agradecemos muito por isso, porque sempre facilita a coisa para palhaças iniciantes tímidas e nervosas, que muitas vezes se atrapalham e esquecem uma parte do tema do trabalho que é provocar o riso.

por Paula Matos (Palhaça Mercedes)

Thais, Fernando e Soraya

“Vocês acham que conseguem marcar entrevista com os Doutores da Alegria?” Essa era a preocupação inicial da nossa orientadora de TGI, Denise Paiero! Agora, ela nos vira e diz: “Vocês não vão parar de entrevistar os Doutores? Como vão editar o vídeo?”. Graças a Deus ela tem razão, conseguimos muitas entrevistas e hoje contaremos mais uma delas…
 
Essa foi uma entrevista no estilo “3 em 1”, na qual participaram os palhaços Soraya, Thaïs e Fernando – Dra. Sirena, Dra. Ferrara e Dr. Escrich, respectivamente. Na minha cabeça, tinha tudo para dar errado! Não que eu seja pessimista, tinha alguns motivos até que palpáveis…
 
Eu que faria as perguntas (estava Pink e tremendo!), o microfone começou a falhar, a Soraya estava presa no trânsito, uma chuva que Deus mandava que não era brincadeira. Convenhamos que o cenário não estava agradável. A Thaïs, dos Doutores, perguntou se preferíamos voltar outro dia, ou gravar só com ela. Dissemos que faríamos o que fosse melhor para ela, pois apesar de insistentes, não somos chatas!
 
Até que ela teve uma brilhante ideia: chamar o Fernando para participar da entrevista, pois ele poderia ajudar a cantar e tocar músicas durante o nosso bate-papo. Quisemos começar a gravar na hora! Enquanto preparávamos as câmeras e eu decorava as perguntas que já sabia de trás pra frente, eles faziam alguns números que levam às crianças. Não vou esquecer do detalhe que era um mini piano e um violão bem pequeno, bem fáceis de transportar.
 
Eles fizeram de tudo um pouco. Encenaram, tocaram, cantaram, falaram sério, deram risada e, quando eu estava começando a ficar menos corada, a Soraya chegou! Nem me abalei tanto quanto pensei! Na verdade, foi um alívio… Pedimos para ela entrar no meio da entrevista e ela foi lá e fez! A essa altura, eu nem lembrava que existia tempo ruim lá fora, que eu estava perguntando, que o microfone não estava mais funcionando…
 
Eu estava lá, entregue de corpo e alma! Foi uma entrevista que marcou muito pra mim, pois fez com que eu superasse muitos traumas! A partir desse dia, me libertei de muitas amarras.

por Juliana Moraes (Palhaça Gugu)

Val de Carvalho

O palhaço não tem medo do ridículo. Não tem medo de ser quem ele é. Não tem medo de assumir seus erros…Sabe que ninguém é perfeito. Pode até parecer óbvio, por ser uma afirmação lógica, mas é incrível como esquecemos desses dizeres constantemente. Acho que é por isso que o palhaço carrega tanto encantamento e magia. Ele enxerga o que qualquer pessoa tenta varrer para debaixo do tapete. É um sábio. Parece que a minha fantasia de criança se torna mais interessante a cada dia.

Estes artistas, na verdade, convivem com as dificuldades nas situações mais corriqueiras. Saltar, cair, tropeçar. Mais do que encarar suas atitudes, os profissionais treinam para isso. Cursos, profissionalizantes ou não, ensinam como fazer que um “falso” tombo pareça real. Além de colocar a roupa, passar a maquiagem, os movimentos também caracterizam um bom palhaço. Em uma das entrevistas para o TGI pudemos presenciar a criação de alguns personagens. Val de Carvalho, professora de curso de palhaço e membro do Doutores de Alegria, era a nossa entrevistada da vez, no dia 9 de junho. Contou ao nosso grupo seu começo de carreira, suas impressões sobre a profissão e sua atuação nos Doutores.

Em meio a muita risada e reflexão, Val ia apresentando momentos de sua vida que estão entrelaçados ao circo, onde descobriu o palhaço que há dentro dela. Entrou no picadeiro jovem e inexperiente. Saiu madura e mãe. Foram muitos anos de dedicação e empenho para que cada apresentação fosse única e que o seu personagem fosse aprimorado. Todo esse conhecimento circense, ela levou para os Doutores. Mas, humilde, reconheceu que precisava aprender a linguagem do hospital. Sentiu a importância do curso de formação do grupo para o trabalho com os doentes.

Depois de uma conversa longa e agradável, a entrevistada nos apresentou a três de seus alunos que já aguardavam ansiosos mais um dia de ensinamento. Cada um deles vinha de uma área diferente e buscavam descobrir o que há de melhor dentro deles, o seu próprio palhaço. Os outros integrantes do grupo foram chegando aos poucos e, logo, o curso também tinha início. Dois deles faziam a primeira aula, mas foi incrível observar como rapidamente estavam à vontade.

Um alongamento para começar. Braço, perna, pescoço. Na seqüência, corridas, trotes…ritmos diferentes. Os aquecimentos cessaram e deram lugar a etapa de exercícios. Aprender a cair, a bater, a fugir…Aprender o espírito do palhaço. Os alunos se enchem de ânimo e o espetáculo, de histórias.

 Simone Coelho (Palhaça Batatinha)

Stankowich

Uma pirueta, Duas piruetas, Bravo, bravo! Superpiruetas, Ultrapiruetas, Bravo, bravo!

Gosto da música, mas não das piruetas, pois tenho medo. Acho que sofro mais do que os artistas que estão em cima do trapézio realizando as tais piruetas. Mas, não daria para evitar, pois estávamos no Circo Stankowich para gravarmos o espetáculo e entrevistarmos o palhaço Rodrigo e o dono do circo. Teria que me conformar com a aflição que sinto das pessoas driblando a lei da gravidade. Vai pra lá, vem pra cá, cai na rede, sobe de novo….. já estava um pouco tonta, além de nervosa.

O circo estava passando uma temporada em Campinas, cidade que nunca tinha visitado. Eu, a Si, a Fê e a Ju que comandava o volante, fomos para a casa da Paula, em Santana de Parnaíba. Ah, tínhamos também a companhia do GPS, amiguinho que a Fê simpatizou muito, mas que já odeio de longa data. Passamos para pegar a Paula, desta vez ela assumiu o volante até Campinas, pois já conhecia o caminho. O Chico que me desculpe, nos o amamos de paixão, até resolvi começar o texto com uma música dele, mas diante da paisagem que nos cercava, escolhemos ouvir Chitãozinho & Xororó, “Ah, ah, ah, to indo agora pra um lugar todinho meu!” (fora desse blog, eu nego até a morte!) Foi um coral tão bonito! Não tem jeito, música é ambiente né? Nossa viagem foi embalada com essa trilha sertaneja. Aliás, ê trem bão! Quando chegamos a Campinas, encontramos a Karina, que se encarregou de nos colocar em um lugar estratégico para captarmos as melhores imagens. Enquanto esperávamos o espetáculo, a Paula e eu comemos pipoca, bebemos refrigerante, já estávamos no clima circense. Foi nesse momento que tiramos essa foto que vocês estão vendo. Logo depois, começou o espetáculo, que foi muito bonito, por sinal. O homem pássaro parecia que ia voar mesmo, fiquei boquiaberta! O ambiente circense tem uma energia contagiante, uma coisa lúdica, uma pena que não tem o valor que merece. A Paula fez amizade com um garotinho, não me lembro o nome dele, mas no intervalo ele falou assim para o avô que o acompanhava: “Vô, é intervalo, dá para comer mais alguma coisa né?”, depois ele confessou para a Paula “ Tomara que o meu avô me leve no Mc’Donalds depois do espetáculo”, muito bonitinho. O palhaço Rodrigo usava só a mímica em suas apresentações, logo depois na entrevista, descobrimos que era um método dele baseado na Escola Russa de Circo, onde os palhaços usam mais a mímica do que a fala. Rodrigo contou um pouco da sua história, e explicou que teve influência da sua família que é tradicional do circo – a Família Garcia – seu pai era mágico, sua irmã contorcionista e seu tio-avô: palhaço! Seus pais até que tentaram fazer com que ele seguisse os estudos em São Paulo, mas não teve jeito, a arte que corria em suas veias foi mais forte e Rodrigo acabou se rendendo ao maravilhoso mundo do circo e a magia de fazer rir. Logo depois, entrevistamos o dono do circo, Marcio Stankowich, que nos contou que é a quinta geração da família no circo! Aproveitamos para gravar um pouco do outro espetáculo e entrevistamos algumas pessoas da plateia. Trabalho comprido e cumprido, pegamos a estrada depois de nos perdemos um pouquinho e dá-lhe Chitãozinho e Xororó, com direito a vídeo e tudo! Muito cansadas, deixamos a Paula em casa e seguimos para São Paulo, ouvindo Daniel, chega de Chitão né, tá bom por hoje!

por Thais Souza (Palhaça Diva)

Wellington Nogueira

Wellington Nogueira, fundador dos Doutores da Alegria. Ele seria o entrevistado daquele dia, e, ao nos prepararmos para entrevistá-lo, na tarde do dia 25 de maio, uma segunda-feira, senti algo parecido com o que a Thaís escreveu sobre seu nervosismo ao conversar com Cláudio Thebas. É uma sensação muito esquisita entrevistar alguém com quem parece já termos uma certa intimidade. No caso da Thaís, ela havia lido o livro do entrevistado. No meu caso (e no das demais integrantes), havia visto o documentário “Doutores da Alegria – O Filme”, dirigido por Mara Mourão, esposa do fundador do grupo. No filme, Wellington conta a história dos Doutores, fala sobre o que pensa do palhaço, explica um pouco de seu trabalho nos hospitais, entre outras coisas. Tudo acompanhado de belos momentos de atendimentos feitos pelo grupo.

Mas apesar de um certo “friozinho na barriga”, nos dirigimos ao Galpão dos Doutores da Alegria, local que já conhecíamos, pois semanas antes havíamos assistido a “Palhestra” feita por Soraya Said e Thais Ferrara, duas “besteirologistas” do grupo. Como de costume, minutos antes o grupo se encontrou na frente do local para os últimos acertos. Logo, então, entramos. As fotografias dos Doutores espalhadas pelo local criam a ambientação necessária para o visitante sentir a delicadeza do trabalho desenvolvido pelo grupo.

Depois de conversarmos com a assessora do grupo, Maria Rita, acertamos o local onde poderíamos realizar a entrevista: uma vasta sala de reuniões, decorada com um grande vasos de planta, colocada encostada em um dos cantos da parede do fundo, ao lado da janela. Uma grande mesa redonda e vermelha poderia ser facilmente colocada ali próxima, o que criaria o cenário ideal para a gravação. Talvez seja a intensidade com que assumimos a tarefa de adendrar no universo do palhaço, mas a mesa, incrivelmente, me pareceu um grande e bonito nariz-de-palhaço (ou seria realmente essa a intenção?!?!).

 Enfim, devaneios à parte, tudo estava pronto: o “cenário”, as duas câmeras posicionadas sobre os tripés, voltadas na direção da cadeira do entrevistado, perguntas em mãos. Instantes depois, Wellington vinha em nossa direção. Era hora de rapidamente começarmos a entrevista, já que o entrevistado teria pouco mais de 40 minutos para a gravação. Na pauta estavam perguntas sobre o surgimento do grupo, a dificuldade de precisarem lidar com temas delicados (como a morte), a importância da remuneração dos “besteirologistas” para o aprofundamento na técnica do palhaço, a razão de o atendimento ser voltado para as crianças (além dos pais e da própria equipe médica e técnica do hospital), e ainda as duas questões-chave para nosso trabalho: a definição individual de cada entrevistado para os conceitos de riso e de palhaço.

Muito simpático e atencioso, entregamos a Wellington uma cópia de nosso projeto para o trabalho do videodocumentário. Ele folheou o calhamaço e pareceu interessado. Avisamo-lhe que poderia ficar com o texto, para conhecer um pouco mais do que estávamos desenvolvendo, ao que ele agradeceu e comentou que com certeza leria posteriormente com mais calma. Pudemos, então, começar a gravação da entrevista. A cada pergunta, o entrevistado bebia um gole de água e pensava durante alguns instantes antes de responder. Sua tranquilidade pareceu ter também me acalmado, e percebi que fui, aos poucos, perdendo a timidez e me sentindo cada vez mais a vontade. Vinte, talvez vinte e cinco minutos depois, a entrevista chegava ao fim.

Agradecemos sua atenção e o convidamos para, no fim do ano, ir assistir a nossa banca e ao videodocumentário pronto. Ele nos disse que essa época de fim de ano sempre é bastante corrida e cheia de eventos em empresas. Mas que faria o possível para comparecer. No momento de guardarmos todos os equipamentos, uma das alunas acabou por derrubar no chão grande parte das bolsas e pastas colocadas sobre uma cadeira, no canto da sala. Wellington, que vestia uma simpática camisa cheia de desenhos de carrinhos infantis e segurando uma caneca com água onde se lia, em letra cursiva, “Dr. Zinho”, disse, como que dando lugar a seu palhaço interior e provocando risadas no ambiente:

– Vocês acreditam que vivo fazendo isso?! 

 

Por Fernanda Pierina (Palhaça Tchicabá)

Paola

Nossas entrevistas são sempre cheias de aventuras, sempre são muitas histórias que acabam na hora gerando muito nervoso e stress, mas que depois se transforma em grandes risadas que nos ajudam.

Nossa entrevistada da semana é Paola Musatti, a Palhaça Manela, dos Doutores da Alegria, do Jogando no Quintal e da peça infantil de improvisação “O mágico de nós”, isso mostra como foi um pouco difícil encontrá-la para marcar e fazer a entrevista.

Após assistirmos pela segunda vez “O mágico de nós” (coisa que eu e o grupo poderíamos fazer toda semana, porque o espetáculo é muito bom), nos preparamos para começar a entrevista, depois de algumas cadeiras quebradas (nada de brigas, elas eram velhas mesmo), escolhemos um bom lugar com fundo musical “A noviça rebelde”.

Paola respondeu nossas perguntas de forma alegre, parece que a identidade de palhaço não consegue deixá-la por um minuto, o que acrescentou muito a pesquisa e nos ajudou a perceber na prática muito do que aprendemos na teoria.

O palhaço mais uma vez nos encantou, cada vez nos convence mais que quem vive em contato com o riso, leva a vida de um jeito muito diferente do que se vê por aí.

por Paula Matos (Palhaça Mercedes)

doutoresdaalegria

O ponto de encontro dessa vez era o Galpão dos Doutores da Alegria. Mas, ao contrário dos nossos últimos encontros, nós não realizaríamos nenhuma entrevista. Não estaríamos se quer no comando…Era nossa vez de ser plateia. A reunião se tratava de uma palestra, ou melhor, Palhestra – de palhaço com palestra – apresentada por Thais Ferrara e Soraya Said, duas besterologistas. As palestrantes tinham a missão de contar para as trinta pessoas presentes um pouco do grupo e de seu trabalho.
Thais iniciou a apresentação, que de institucional só tinha a temática. Entre explanações da origem dos Doutores e explicações da sua atuação, ela fazia um grande número de performances. Colocava máscara, mudava a voz, imitava gestualmente algum personagem. E tudo isso, para prender a atenção dos presentes e tornar o clima mais agradável – como se precisasse. Aos poucos arrancava risos do público, que até esquecia do avançado horário (a palestra terminou às 22h).
Palhaço, maquiagem, improviso, hospital. Thais aponta, explica, destrincha cada um desses elementos e forma uma colcha de retalhos, que dá origem aos Doutores da Alegria. Cada um dos besterologistas precisa ser ator com experiência na arte do palhaço e também fazer durante um ano o curso de formação do grupo, para aprender a abordagem correta utilizada por todos eles. Essa linguagem se junta ao trabalho em equipe, esse que acontece duas vezes por semana, seis horas por dia. O conhecimento adquirido é o conhecimento do outro, do parceiro, do paciente, do ser humano…Visível, até mesmo para quem não pode ver.
A sintonia conquistada é impressionante. Quando Soraya entra na sala, não precisa pronunciar nenhuma palavra. Seus movimentos, seu olhar transbordando de significado permitem com que Thais entre na brincadeira.  As duas viram médicas – em fração de segundos – e atendem com bom humor toda a plateia.
O riso, o sorriso, a risada são mais que inevitáveis…São verdadeiros aplausos diante de uma lição de vida.

por Simone Coelho (Palhaça Batatinha)

Vera

Durante o ano de 2009, o Grupo Jogando no Quintal é a nossa vida. Além de terem virado trilha sonora e principal assunto, também nos fornecem contatos importantíssimos e ajudam imensamente o nosso trabalho.já Mais uma vez em contato com eles, conseguimos marcar uma entrevista com a primeira palhaça convidada a participar dos Doutores da Alegria, a Vera Abbud. Tudo bem que já havíamos entrado em contato com os Doutores, mas aposto que o fato dela pertencer aos dois grupos ajudou muito para marcar. Conseguimos o feito para o dia 09 de maio, na casa dela, às 14h, porque ela mora próximo ao Teatro Alfa e sabia que tínhamos uma entrevista agendada com o César Gouvêa, fundador do Jogando no Quintal, às 16h.

Entre idas e vindas, marquei com a Simone e a Fernanda às 13h00 no metrô Bresser. Saí mais cedo do curso de inglês, perdi prova e fui pro local combinado. Nunca tem trânsito, mas naquele dia… O trajeto que faço em 10 minutos, levou 40! E as duas estavam me esperando. Para ir, mais trânsito ainda. Sem contar o tanto que eu me perdi durante o caminho. Chegamos com meia hora de atraso. A Paula e a Thaís já estavam lá. A Vera estava tomando café em uma padaria. Que vergonha! Além de chegar atrasada, ainda atrapalhei o café dela e ela ainda me receberia em casa, com toda a simpatia e educação do mundo.

Muito profunda e concentrada em todas as respostas, ela apresentou a sua versão sobre o palhaço e também sobre o riso. Surpreendeu em várias questões, pois sempre fugia daquelas respostas-padrão. Sempre pensativa, ela conseguiu um feito. Fez uma integrante do grupo chorar e deixar as demais sem palavras, quando nos contou um dos casos marcantes em sua trajetória de doutora palhaça.

A entrevista foi perfeita, as respostas maravilhosas, o cenário ficou lindo. Mas, quando estávamos chegando ao Teatro, lembrei de uma coisa: esquecemos de arrumar a cadeira da casa dela. Ai, mais vergonha ainda! Para começar, mudamos uma cadeira de lugar – ninguém subiu na cadeira – e na hora de ir embora, não devolvemos na posição original. Espero que ela nos entenda, pois estávamos ainda chocadas com as histórias que ela tinha contado.

Saímos de lá com o tempo certíssimo para chegar ao teatro Alfa, uma perdidinha que eu desse e a gente não conseguiria chegar. Mas, dessa vez, tínhamos dois GPSs dentro do carro, chamados Thaís e Paula. Conseguimos chegar para a esperada entrevista com César Gouvêa, o palhaço Cizar Parker, criador do Grupo Jogando no Quintal – eu avisei que esse ano o Jogando no Quintal era a nossa vida. Ele estava apresentando o espetáculo O Mágico de Nós, uma peça de improvisações voltada para o público infantil.

Assistimos ao espetáculo e voltamos a ser crianças. Foi maravilhoso! A fada, o Leão, o Cachorrinho, o Espant – nunca gostamos de alho –, o Homem de Lata, a menina Dorothy e, o melhor de tudo: as crianças super criativas lançando os temas. O mais interessante é que os pais acabam se empolgando mais que os rebentos! Quase arremessam as crias no palco. “Vai lá, filhão. Não precisa ter vergonha”. Após esse momento de pura diversão (roubando expressões mercedianas), fomos à entrevista.

Cesar

Nossa, mais uma vez fomos surpreendidas com as respostas. Isso deve ser coisa de palhaço mesmo, ainda bem. Não existe aquela pergunta que a gente saiba a resposta. Cada um tem uma versão mais linda, mais interessando sobre o que é o palhaço, sobre o que é o riso, sobre diversas questões. É ótimo poder contar com pessoas simpáticas, sempre de bom humor, que pensam antes de dar as respostas e se interessam pelo nosso trabalho. Ele nos contou sobre a origem do grupo de palhaços-atores e, em todos os momentos, interagiu com as integrantes do grupo. Quando a entrevista acabou, fomos até o estacionamento conversando. Será que todos os palhaços são simpáticos assim ou são apenas os que pertencem ao Jogando no Quintal ou aos Doutores da Alegria?

César foi muito atencioso e mostrou-se inteiramente envolvido com o tema que propusemos. Espero que muitos de nossos entrevistados consigam separar um horário na agenda para assistir a nossa apresentação!

Por Juliana Moraes (Palhaça Tia Gugu)

Claudio TebasSexta-feira, 1º de maio de 2009, Teatro da Vila, às 17h30. Foi esse o horário marcado com o ator Cláudio Thebas para uma entrevista sobre o palhaço. Depois de muitos telefonemas, de pedir desculpas, de ligar várias vezes, incansavelmente, de gaguejar e ficar com dor de barriga, finalmente, a entrevista nos seria concedida. Um dia antes, comprei o livro do ator, cujo título é “O livro do palhaço”, uma leitura tão gostosa e tão atraente que terminei o livro em uma hora. Na verdade, a entrevista com o Cláudio seria no dia 3 de maio, às 16h00 no Centro de cultura Judaica, pois o ator se apresentaria na Virada Cultural, com o grupo teatral do qual faz parte, o Jogando no Quintal. Mas, depois de encontros e desencontros de informações, telefonemas e gritos a entrevista ficou para sexta-feira. Estava muito ansiosa para entrevistá-lo, pois a leitura foi muito bonita, o autor descreve o palhaço com uma sensibilidade e beleza tão grande que dá até vontade de se tornar um. Aliás, todos os palhaços que entrevistamos ultimamente, têm sido tão generosos e tão simpáticos, que se já gostava de palhaços e desse universo lúdico, agora gosto e me interesso cada vez mais.

O meu namorado preferiu me acompanhar, afinal, era feriado e ele teria tempo livre. Chegamos cedo, de carro duraram 10 minutos, e ao longo do caminho percebi que estava frio. Assim que chegamos, encontramos a Juliana e a Paula. Ficamos lá, divagando se conseguiríamos um lugar para assistir ao espetáculo, pois o teatro era pequeno e os ingressos foram distribuídos apenas para convidados. Conversamos um pouco com a atriz Rhena de Faria, já havíamos a entrevistado em outra ocasião. Logo depois, chega um carro azul, acho que se chama Berlingo e uma pessoa desce do carro com uma maleta enorme de madeira. Só depois de olhar a maleta, percebi que era o nosso entrevistado, o Cláudio Thebas. Ele pára na nossa frente e diz: ”Oi!”, um silêncio predomina, só tivemos boca para responder oi, como não houve reação da nossa parte, reação nenhuma nem para dizer: “Oi Cláudio, tudo bem? Estamos esperando para entrevistá-lo”, ele passa direto. Só sinto a cotovelada e a seguinte frase: “vai lá falar com ele, que tonta, não fala nada, conversa com o homem pelo telefone e não fala nada na frente dele! A minha reação foi rir, simplesmente, fiquei pasma, sem ação, quando o vi. Logo após, ouço passos e a seguinte frase: “São vocês que vão me entrevistar?”, a resposta foi um único e simples som: “Sim!”, ele responde, “ É impressionante o que a vergonha faz com as pessoas!”, nesse momento pensei: que bom, meio caminho andado…

Ficamos definindo qual seria o melhor local para entrevistá-lo, qual a melhor cadeira, arma tripé, põe a fita, vê qual o melhor ângulo, a melhor luz, onde tem menos barulho, percebi que o fundo laranja e a blusa listrada do entrevistado no tom verde estavam bonitos, e, finalmente, depois de tudo organizado, começamos a entrevista. Com o rosto corado pergunto, “O que é ser palhaço, para você?”, depois de um longo suspiro, “o palhaço sou eu assim, é estar vivo, é essa presença o tempo inteiro, tentando ser sincero, espontâneo, verdadeiro, então ser palhaço é estar inteiro mesmo, acho que é um pouco isso”. Que felicidade, depois de momentos de tensão estava tudo andando! As horas seguintes foram de satisfação, todo o nervosismo valeu à pena, correu tudo bem com a entrevista, tirando o técnico do teatro que acendeu uma luz bem forte no entrevistado, alterando toda a gravação, mas que logo em seguida a desligou, foi tudo ótimo, as respostas foram convidativas e claras, muitas dicas de palhaços, livros e filmes, além do livro autografado com a seguinte frase: Um beijo em tudo o que vocês fazem e sentem! Ficamos para assistir ao espetáculo e percebi que cada ato do Cláudio, que no palco se transforma no palhaço Olímpio, tudo o que ele disse na entrevista, tudo o que escreveu no livro, tudo o que ele queria que aprendêssemos, tudo foi confirmado ali, no palco, em cada ato, cada interpretação, cada gesto do palhaço, do ator, do ser humano.

por Thais Souza (Palhaça Diva)

O retorno

 

Dia: 18/04/09 (Sábado)

Local: Tucarena – PUC-SP

Hora: 18h

Nitidamente mais ansiosas do que da vez anterior, nos encontramos novamente alguns minutos antes do combinado com a produtora Maria Teresa, para realizarmos os acertos finais. Uma das mudanças que teríamos desta vez seria a gravação das entrevistas com duas filmadoras: uma seria usada para registrar um plano aberto, mais geral, e a segunda captaria o entrevistado de um outro ângulo, dando atenção a detalhes como as mãos, os olhos, a boca etc.

Ao encontrarmos com a produtora, ela informou-nos que havia, ainda, conseguido que um dos integrantes da banda do grupo, o ator Marco Gonçalves, também nos desse uma entrevista. E foi com ele que primeiro gravamos. Brincalhão e bastante desinibido pela presença das câmeras, conseguimos uma conversa fluida e interessante.

Depois da entrevista, retornamos ao posto que nos haviam destinado e registramos trechos das orientações transmitidas ao grupo pelo diretor, Márcio Ballas. Instantes depois, o grupo, aos poucos, saía do palco e ía aos camarins para vestirem o figurino e fazerem as maquiagens.

O espetáculo começou e seguiu basicamente o mesmo formato do anterior, com a diferença de ter no palhaço João Grandão (Márcio Ballas) a figura do juiz, além de a banda ter sofrido pequenas alterações em sua composição. Pouco antes das brincadeiras começarem, um dos integrantes da platéia entrava atrasado no espetáculo, quando chamou a atenção de João Grandão, que o chamou para o centro do palco. Perguntou-lhe o nome, e Cláudio foi a resposta. Alguém de sua família, já sentado, gritou ao palhaço que era aniversário do “atrasado”. Todos, então, iniciaram a cantoria do “Parabéns para você”, com direito à “assoprar as velinhas”, no caso, formada pela equipe de palhaços. Cláudio mal desconfiava que se tornaria motivo de diversas piadas e brincadeiras ao longo da apresentação.

No momento do intervalo, aproveitamos para tentar uma breve entrevista com o homenageado da noite, que se mostrou bastante simpático conosco, além do capitão escolhido pela equipe laranja: Luís, também atencioso, aceitou conversar e gravar entrevista.

A segunda parte do espetáculo seguia e, conforme a apresentação chegava ao final, íamos nos preparando para a entrevista com Márcio Ballas. A cerimônia de entrega das “medalhas” aconteceu e chegou o momento de irmos ao camarim. Maria Teresa nos pediu alguns minutos, para que o entrevistado pudesse tomar um banho rápido e tirar toda a espuma das tortadas. Quando ele surgiu, apesar de ter acabado de apresentar um show com quase duas horas de duração, nos parecia bem disposto e atencioso. Apenas nos avisou que caso seu celular tocasse, ele precisaria atendê-lo, já que sua filha o aguardava em casa.

Explicamo-lhe que precisaríamos refazer as perguntas, já que da vez anterior a entrevista tinha sido feita com pressa. Instantes antes de começarmos, ele nos fez algumas brincadeiras, demonstrando estar à vontade conosco e com a gravação. Começamos a entrevista e suas respostas, dessa vez dadas com mais tempo, ficaram mais completas e interessantes. No meio da entrevista, como o esperado, seu celular tocou e ele nos pediu licença para atender. Não era sua filha, mas alguém lhe parabenizando pela apresentação. Ele agradeceu e logo em seguida desligou. Algumas perguntas a seguir, o celular voltou a tocar, ao que ele pediu desculpas por atrapalhar a gravação, e nós o avisamos que somente gostaríamos de fazer mais uma última questão. Ele a respondeu e, ao final, fez uma “brincadeirinha” com a câmera. Agradecemos por sua atenção e paciência.

Na saída, Maria Teresa nos informou que a equipe de seguranças só nos aguardava terminar a entrevista para fechar o teatro. Ajeitamos o restante dos equipamentos e, às 0h35, fomos embora, dessa vez, sim, com o sentimento de dever cumprido.

Por Fernanda Pierina (Palhaça Tchicabá)