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Claudio TebasSexta-feira, 1º de maio de 2009, Teatro da Vila, às 17h30. Foi esse o horário marcado com o ator Cláudio Thebas para uma entrevista sobre o palhaço. Depois de muitos telefonemas, de pedir desculpas, de ligar várias vezes, incansavelmente, de gaguejar e ficar com dor de barriga, finalmente, a entrevista nos seria concedida. Um dia antes, comprei o livro do ator, cujo título é “O livro do palhaço”, uma leitura tão gostosa e tão atraente que terminei o livro em uma hora. Na verdade, a entrevista com o Cláudio seria no dia 3 de maio, às 16h00 no Centro de cultura Judaica, pois o ator se apresentaria na Virada Cultural, com o grupo teatral do qual faz parte, o Jogando no Quintal. Mas, depois de encontros e desencontros de informações, telefonemas e gritos a entrevista ficou para sexta-feira. Estava muito ansiosa para entrevistá-lo, pois a leitura foi muito bonita, o autor descreve o palhaço com uma sensibilidade e beleza tão grande que dá até vontade de se tornar um. Aliás, todos os palhaços que entrevistamos ultimamente, têm sido tão generosos e tão simpáticos, que se já gostava de palhaços e desse universo lúdico, agora gosto e me interesso cada vez mais.

O meu namorado preferiu me acompanhar, afinal, era feriado e ele teria tempo livre. Chegamos cedo, de carro duraram 10 minutos, e ao longo do caminho percebi que estava frio. Assim que chegamos, encontramos a Juliana e a Paula. Ficamos lá, divagando se conseguiríamos um lugar para assistir ao espetáculo, pois o teatro era pequeno e os ingressos foram distribuídos apenas para convidados. Conversamos um pouco com a atriz Rhena de Faria, já havíamos a entrevistado em outra ocasião. Logo depois, chega um carro azul, acho que se chama Berlingo e uma pessoa desce do carro com uma maleta enorme de madeira. Só depois de olhar a maleta, percebi que era o nosso entrevistado, o Cláudio Thebas. Ele pára na nossa frente e diz: ”Oi!”, um silêncio predomina, só tivemos boca para responder oi, como não houve reação da nossa parte, reação nenhuma nem para dizer: “Oi Cláudio, tudo bem? Estamos esperando para entrevistá-lo”, ele passa direto. Só sinto a cotovelada e a seguinte frase: “vai lá falar com ele, que tonta, não fala nada, conversa com o homem pelo telefone e não fala nada na frente dele! A minha reação foi rir, simplesmente, fiquei pasma, sem ação, quando o vi. Logo após, ouço passos e a seguinte frase: “São vocês que vão me entrevistar?”, a resposta foi um único e simples som: “Sim!”, ele responde, “ É impressionante o que a vergonha faz com as pessoas!”, nesse momento pensei: que bom, meio caminho andado…

Ficamos definindo qual seria o melhor local para entrevistá-lo, qual a melhor cadeira, arma tripé, põe a fita, vê qual o melhor ângulo, a melhor luz, onde tem menos barulho, percebi que o fundo laranja e a blusa listrada do entrevistado no tom verde estavam bonitos, e, finalmente, depois de tudo organizado, começamos a entrevista. Com o rosto corado pergunto, “O que é ser palhaço, para você?”, depois de um longo suspiro, “o palhaço sou eu assim, é estar vivo, é essa presença o tempo inteiro, tentando ser sincero, espontâneo, verdadeiro, então ser palhaço é estar inteiro mesmo, acho que é um pouco isso”. Que felicidade, depois de momentos de tensão estava tudo andando! As horas seguintes foram de satisfação, todo o nervosismo valeu à pena, correu tudo bem com a entrevista, tirando o técnico do teatro que acendeu uma luz bem forte no entrevistado, alterando toda a gravação, mas que logo em seguida a desligou, foi tudo ótimo, as respostas foram convidativas e claras, muitas dicas de palhaços, livros e filmes, além do livro autografado com a seguinte frase: Um beijo em tudo o que vocês fazem e sentem! Ficamos para assistir ao espetáculo e percebi que cada ato do Cláudio, que no palco se transforma no palhaço Olímpio, tudo o que ele disse na entrevista, tudo o que escreveu no livro, tudo o que ele queria que aprendêssemos, tudo foi confirmado ali, no palco, em cada ato, cada interpretação, cada gesto do palhaço, do ator, do ser humano.

por Thais Souza (Palhaça Diva)