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Val de Carvalho

O palhaço não tem medo do ridículo. Não tem medo de ser quem ele é. Não tem medo de assumir seus erros…Sabe que ninguém é perfeito. Pode até parecer óbvio, por ser uma afirmação lógica, mas é incrível como esquecemos desses dizeres constantemente. Acho que é por isso que o palhaço carrega tanto encantamento e magia. Ele enxerga o que qualquer pessoa tenta varrer para debaixo do tapete. É um sábio. Parece que a minha fantasia de criança se torna mais interessante a cada dia.

Estes artistas, na verdade, convivem com as dificuldades nas situações mais corriqueiras. Saltar, cair, tropeçar. Mais do que encarar suas atitudes, os profissionais treinam para isso. Cursos, profissionalizantes ou não, ensinam como fazer que um “falso” tombo pareça real. Além de colocar a roupa, passar a maquiagem, os movimentos também caracterizam um bom palhaço. Em uma das entrevistas para o TGI pudemos presenciar a criação de alguns personagens. Val de Carvalho, professora de curso de palhaço e membro do Doutores de Alegria, era a nossa entrevistada da vez, no dia 9 de junho. Contou ao nosso grupo seu começo de carreira, suas impressões sobre a profissão e sua atuação nos Doutores.

Em meio a muita risada e reflexão, Val ia apresentando momentos de sua vida que estão entrelaçados ao circo, onde descobriu o palhaço que há dentro dela. Entrou no picadeiro jovem e inexperiente. Saiu madura e mãe. Foram muitos anos de dedicação e empenho para que cada apresentação fosse única e que o seu personagem fosse aprimorado. Todo esse conhecimento circense, ela levou para os Doutores. Mas, humilde, reconheceu que precisava aprender a linguagem do hospital. Sentiu a importância do curso de formação do grupo para o trabalho com os doentes.

Depois de uma conversa longa e agradável, a entrevistada nos apresentou a três de seus alunos que já aguardavam ansiosos mais um dia de ensinamento. Cada um deles vinha de uma área diferente e buscavam descobrir o que há de melhor dentro deles, o seu próprio palhaço. Os outros integrantes do grupo foram chegando aos poucos e, logo, o curso também tinha início. Dois deles faziam a primeira aula, mas foi incrível observar como rapidamente estavam à vontade.

Um alongamento para começar. Braço, perna, pescoço. Na seqüência, corridas, trotes…ritmos diferentes. Os aquecimentos cessaram e deram lugar a etapa de exercícios. Aprender a cair, a bater, a fugir…Aprender o espírito do palhaço. Os alunos se enchem de ânimo e o espetáculo, de histórias.

 Simone Coelho (Palhaça Batatinha)

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