doutoresdaalegria

O ponto de encontro dessa vez era o Galpão dos Doutores da Alegria. Mas, ao contrário dos nossos últimos encontros, nós não realizaríamos nenhuma entrevista. Não estaríamos se quer no comando…Era nossa vez de ser plateia. A reunião se tratava de uma palestra, ou melhor, Palhestra – de palhaço com palestra – apresentada por Thais Ferrara e Soraya Said, duas besterologistas. As palestrantes tinham a missão de contar para as trinta pessoas presentes um pouco do grupo e de seu trabalho.
Thais iniciou a apresentação, que de institucional só tinha a temática. Entre explanações da origem dos Doutores e explicações da sua atuação, ela fazia um grande número de performances. Colocava máscara, mudava a voz, imitava gestualmente algum personagem. E tudo isso, para prender a atenção dos presentes e tornar o clima mais agradável – como se precisasse. Aos poucos arrancava risos do público, que até esquecia do avançado horário (a palestra terminou às 22h).
Palhaço, maquiagem, improviso, hospital. Thais aponta, explica, destrincha cada um desses elementos e forma uma colcha de retalhos, que dá origem aos Doutores da Alegria. Cada um dos besterologistas precisa ser ator com experiência na arte do palhaço e também fazer durante um ano o curso de formação do grupo, para aprender a abordagem correta utilizada por todos eles. Essa linguagem se junta ao trabalho em equipe, esse que acontece duas vezes por semana, seis horas por dia. O conhecimento adquirido é o conhecimento do outro, do parceiro, do paciente, do ser humano…Visível, até mesmo para quem não pode ver.
A sintonia conquistada é impressionante. Quando Soraya entra na sala, não precisa pronunciar nenhuma palavra. Seus movimentos, seu olhar transbordando de significado permitem com que Thais entre na brincadeira.  As duas viram médicas – em fração de segundos – e atendem com bom humor toda a plateia.
O riso, o sorriso, a risada são mais que inevitáveis…São verdadeiros aplausos diante de uma lição de vida.

por Simone Coelho (Palhaça Batatinha)

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